Acabou há pouco a entrevista do Primeiro-ministro à RTP. Em cima da mesa estiveram várias matérias, mas de certo a mais publicitada, a polémica sobre a sua licenciatura na universidade independente.
Uma questão que Sócrates e outros consideram impertinente, mas na verdade, o país merecia uma explicação. Depois de um longo silêncio (inexplicável e que só alimentou ainda mais especulações) Sócrates tenta hoje salvar a face perante os portugueses e… trouxe os seus diplomas! E num momento quase surreal, único na televisão portuguesa, viu-se o PM a expor o seu percurso académico
Enquanto apresentava os seus documentos, Sócrates tentava (e conseguia em parte) desmontar grande parte das acusações que pendiam sobre si, ‘controlando danos’. Ao fim de poucos minutos e argumentando várias vezes ter-se invertido o ónus da prova, o jogo fica virado do avesso e Sócrates acaba ao ataque e em vantagem nesta suspeição de carácter levantada contra si. Hábil político e comunicador, esteve bem.
Não quer isso dizer que Sócrates tenha saído ilibado de todas as acusações. As explicações surgiram tardiamente, algumas dúvidas menores foram esquecidas e o julgamento continuará certamente na praça púbica. Mas pode respirar de alívio e seguir
A entrevista prosseguiu com a (falsa) questão do regime de mobilidade dos funcionários públicos que mais não é que um lay-off. Não há é a coragem politica para o admitir. Mas mais uma vez, ‘as finanças públicas’ – sob sua égide, tudo é permitido, tudo é justificável.
Mudando o assunto para a saúde, teve a audácia de comparar o seu ministro da telheiras-school, como diz o Enf. José Azevedo, com a Dr.ª Leonor Beleza e mais uma vez defendeu a tese segundo a qual o SNS fica bem melhor se encolher. A propósito, gostei muito da pergunta (retórica) da Maria Flor Pedroso: ‘a estratégia do governo é decidir 1º e explicar depois?’ – esteve bem e muitos devem ter concordado.
Quanto á OTA, algo cheira muito mal. Olho com desconfiança. Custa-me a crer que este governo e este primeiro-ministro, vão ser tão obstinados ao ponto de insistirem nos seus ensejos de ali construir o futuro aeroporto, mesmo que seja a pior solução. O tempo nos dirá.
Pelo meio, lançou-se outra vez números sobre o desemprego, falou-se do referendo do aborto, dos impostos. Mas foi uma entrevista que nada acrescentou.

1 comentário:
acrescento apenas o seguinte: o assunto surgiu publicado na blogosfera em 2005 e nos jornais há 2semanas salvo erro. o homem falou agora. dá que pensar!
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