quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ainda a questão da licenciatura…

Acabou há pouco a entrevista do Primeiro-ministro à RTP. Em cima da mesa estiveram várias matérias, mas de certo a mais publicitada, a polémica sobre a sua licenciatura na universidade independente.

Uma questão que Sócrates e outros consideram impertinente, mas na verdade, o país merecia uma explicação. Depois de um longo silêncio (inexplicável e que só alimentou ainda mais especulações) Sócrates tenta hoje salvar a face perante os portugueses e… trouxe os seus diplomas! E num momento quase surreal, único na televisão portuguesa, viu-se o PM a expor o seu percurso académico em directo. Muito sui generis

Enquanto apresentava os seus documentos, Sócrates tentava (e conseguia em parte) desmontar grande parte das acusações que pendiam sobre si, ‘controlando danos’. Ao fim de poucos minutos e argumentando várias vezes ter-se invertido o ónus da prova, o jogo fica virado do avesso e Sócrates acaba ao ataque e em vantagem nesta suspeição de carácter levantada contra si. Hábil político e comunicador, esteve bem.

Não quer isso dizer que Sócrates tenha saído ilibado de todas as acusações. As explicações surgiram tardiamente, algumas dúvidas menores foram esquecidas e o julgamento continuará certamente na praça púbica. Mas pode respirar de alívio e seguir em frente. Agora poderá escudar-se sob um lacónico ‘já foram dados todos os esclarecimentos’, ‘ disse tudo o que tinha a dizer sobre essa matéria’ e remeter-se ao silêncio.

A entrevista prosseguiu com a (falsa) questão do regime de mobilidade dos funcionários públicos que mais não é que um lay-off. Não há é a coragem politica para o admitir. Mas mais uma vez, ‘as finanças públicas’ – sob sua égide, tudo é permitido, tudo é justificável.

Mudando o assunto para a saúde, teve a audácia de comparar o seu ministro da telheiras-school, como diz o Enf. José Azevedo, com a Dr.ª Leonor Beleza e mais uma vez defendeu a tese segundo a qual o SNS fica bem melhor se encolher. A propósito, gostei muito da pergunta (retórica) da Maria Flor Pedroso: ‘a estratégia do governo é decidir 1º e explicar depois?’ – esteve bem e muitos devem ter concordado.

Quanto á OTA, algo cheira muito mal. Olho com desconfiança. Custa-me a crer que este governo e este primeiro-ministro, vão ser tão obstinados ao ponto de insistirem nos seus ensejos de ali construir o futuro aeroporto, mesmo que seja a pior solução. O tempo nos dirá.

Pelo meio, lançou-se outra vez números sobre o desemprego, falou-se do referendo do aborto, dos impostos. Mas foi uma entrevista que nada acrescentou.

1 comentário:

ValJSLo disse...

acrescento apenas o seguinte: o assunto surgiu publicado na blogosfera em 2005 e nos jornais há 2semanas salvo erro. o homem falou agora. dá que pensar!