Habituado a andar no sentido contrário das massas, sexta-feira é o dia de excepção - por força das circunstâncias - torno-me mais um entre a multidão. É o meu dia 'Zé Povinho', como costumo dizer. Começa pela luta por um lugar no parque de estacionamento, depois correria: comboio-metro-pequeno percurso a pé-aulas das 9h às 18h, horário esse que a minha rotina teima em estranhar.
Na viagem de hoje de comboio, (após ter trabalhado toda a noite), lá ía eu todo entretido como sempre a imaginar a vida detrás de cada cara, quando me deparo com o mais curioso dos diálogos:
Na viagem de hoje de comboio, (após ter trabalhado toda a noite), lá ía eu todo entretido como sempre a imaginar a vida detrás de cada cara, quando me deparo com o mais curioso dos diálogos:
Srª com o Destak nas mãos: "Aiiiii-que-coiiiisa-tãaaaaaoooo-giiiiiiiiiira!"
Mãe com a criança ao colo: "Oláaaaa! Diz 'olá' à xinhôra dize!"
Srª com o Destak nas mãos: "E-como-te-chamaszzz-tu-hein? Como-te-chamazzz-bonitão?"
Mãe com a criança ao colo: "Diz 'Peeeedrooo', diz filho. Olha a senhora!"
Srª com o Destak nas mãos: "E-quantoszz-anoszz-tenszzz-túuu-pedroo? hum?"
Mãe com a criança ao colo: "Diz: 'tenho dois'. Diz filhinho, diz. Faz com os dedos... mostra, um... dois... tenho dois."
Srª com o Destak nas mãos: "Ahhhh! E-já-'tás-tãaaao-grande!" [...]
O puto durante a conversa, olhava para todo o lado menos para as duas cromas e parecia querer dizer: 'há coisas deprimentes não há?'

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